a canção perdida

“J’avais dessiné sur le sable
Son doux visage qui me souriait”

(Paul Mauriat)

Um rosto desenhado na areiada praia. O esquecimento já no final de cada próximo passo. As ondas não têm lembrança. É por isso que elas se repetem no fatal percurso de se quebrarem onde o mar começa. É por isso que voltam. Elas vêm e vão.
O mar começa ali, onde estão os pés do menino ao lado de um rosto desenhado. Começa sem ter fim. Ele não acaba porque depois ele é horizonte e depois é céu.
O menino olhava as ondas morrendo na praia. Elas apagavam o rosto desenhado na areia e não se lembravam que naquela areia não havia nada antes que o menino ali pisasse. Depois elas também não se lembrariam que naquela areia onde não havia nada, um menino desenhou um rosto. As ondas nem se lembram que elas próprias já morreram tantas vezes naquela mesma praia.
As ondas não se lembram e por isso elas também não esquecem. O mar é a própria memória, ele começa sem ter fim. Ou não começa. Talvez seja o menino quem comece porque, diferente do mar, um dia ele acaba.
Quando as ondas apagaram todos os vestígios do rosto desenhado na areia, o menino começou a andar pela orla da praia. As ondas apagaram os passos do menino bem como os outros rostos que ele desenhou. E ele seguiu seu caminho até a ponta onde a praia acaba e o mar continua. E depois o horizonte e depois o céu.
Ele não fez a curva acompanhando a praia. Seguiu reto e seu corpo entrou no mar com as ondas. Quero voltar a ser o mar, pensou.
O mar não começa nem acaba – continua.

3 Respostas to “a canção perdida”

  1. Marvs Says:

    Então… eu gostei do que vc escreve, porém o ensaio ficou um tanto quanto confuso, sua explicação justifica a confusão. Comparando com o seu conto que eu li em francês, eu acho que gosto mais do que vc escreve em português mesmo (você pediu uma opinião honesta…)
    Entre os textos e os poemas eu gosto mais dos poemas, mesmo não gostando muito de poemas. resumidamente, keep up with the good work. E sim, eu continuo abismada com sua habilidade de ter um blog com links e comentários e blablabla…

  2. Jorge Says:

    eu fico abismado com o fato de você ter gostado mais dos poemas… os contos devem ser bem ruins! rsrs
    obrigado pela visita e volte sempre!

  3. Marvs Says:

    Não, mas é que no poema vc tem menos espaço pra causar algum impacto, já no conto o espaço é ilimitado… sem falar que depis da faculdade, eu só tenho paciência para ler coisas curtas tipo horóscopo no jornal

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