Para uma menina com um buldogue

Os buldogues são criaturas feíssimas e você sabe que eu sei disso. Mesmo assim você os ama e não se aguenta de paixão quando encontra um. Você logo pula, grita, sofre de vontade de apertar-lhe as bochechas. O último sintoma dessa sua ânsia furiosa por buldogues é aquele sorriso lindo – o mesmo sorriso de quando eu olho pra você ou de quando você se xinga por estar apaixonada por mim. “Que absurdo!” você diz num lamento tão gostoso e aí quem sorri sou eu, absurdamente apaixonado.

Mas… me perdoe por conjugar os verbos no presente, mesmo sabendo que eles deveriam estar no pretérito. Acontece, linda, que tá foda.

Hoje eu não recebi nenhuma mensagem sua, como eu sabia que não iria receber. Hoje meu celular não vibrou com o seu “bom dia, lindo” e eu sei que ele não vai vibrar amanhã nem depois. Por isso, foi só um pouquinho mais difícil sorrir durante o dia. (Acho que você não percebeu que eu menti quando disse “um pouquinho”). Eu fiquei lembrando e pensando um monte de coisas…

Um monte de palavras pra escrever e preencher a distância. É por isso que trocamos tantas mensagens, quando o que nós realmente queremos é estar em silêncio um com o outro.

Ah! eu conjuguei errado de novo porque eu lembrei de uma mensagem que você me mandou logo na primeira semana: “Penso em vc o tempo todo!”. Eu também fiz isso hoje.

Eu só fiz isso hoje. E foi tudo por causa do maldito buldogue que eu encontrei enquanto saía do prédio hoje cedo. Por dois segundos nos encaramos. Olhei aquele bicho feio, emburrado, ranzinza, pequeno, truncado, disforme e lindo porque você sorri pra ele. Por isso eu passei o dia todo pensando em você e lembrando de uma passagem de O Pequeno Príncipe:

(…)Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo…
(…)
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
– Ah! Eu vou chorar.
– A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse…
– Quis, disse a raposa.
– Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
– Vou, disse a raposa.
– Então, não sais lucrando nada!
– Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.

Eu não sei se você percebeu, eu estou triste; há muita coisa que eu gostaria falar, quando o que eu realmente gostaria é de ficar naquele silêncio com você. Basta saber que eu não quero que você se sinta culpada, porque, nesse tempo com você, eu apenas fui feliz e porque, no seu lugar, eu faria  a mesma escolha.

No final, não é assim tão ruim como parece. Eu lucrei com a feiúra dos buldogues, não é mesmo?!

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