escrevendo de olhos fechados

Estão quebrando a rua da minha casa. Enquanto eu vou ao banco, a rua vai se esfarelando sob as solas dos meus tênis e meus passos dançam entre os cacos de asfalto. Carinho de britadeira e amor de concreto. Outro prédio sendo parido na minha vizinhaça. As paredes da minha casa estão rachadas e a minha rua está quebrada. Talvez não haja volta. Talvez não haja nada.
Há menos que nada, meu saldo é negativo. Ainda posso andar e sonhar não custa nada. Viver é diferente e é sempre seguir em frente. Não há rima nem solução, o caminho de volta é cada vez mais partido. O teto da minha casa está desabando. No almoço, eu faço um brinde ao fim e a tudo que é novo depois dele. Eu vou dançando entre os cacos e fazendo deles uma escada.

Uma resposta to “escrevendo de olhos fechados”

  1. Urso Says:

    E aí meu velho? As coisas andas meio estraçalhadas mesmo ou é apenas licença poética…
    tenho saudades… de tudo…

    e aquela velha vontade de escrever me bate na cara…

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