II – Pedido de desculpa

A escrita é um fracasso na medida em que ela não traduz coisa alguma da verdade ou da alma. As palavras operam em um mundo próprio, que eu prefiro imaginar como um bosque fantástico e inventivo que nada tem a ver com o real. Por isso, o leitor erra querendo decifrar nas entrelinhas uma suposta verdade do escritor. Seja lá qual for a verdade, ela está sempre do lado de fora do texto. Do lado de dentro, há apenas uma história.
Espero, J., que você me perdoe pela minha trapaça. Porque o que há aqui não é aquele ano nem aquela casa. Estou pagando minha promessa com um embuste, como Prometeu o fez aos antigos deuses.
Esta história pouco tem de história – ela é mais um pequeno álbum de pequenos retratos que eu tirei ao longo dos anos. E agora que eu faço dessas imagens palavras, elas vão deixando de ser verdades e esta suposta e fracassada história vai deixando de ser a vida que a gente verdadeiramente viveu.
Acho que tem que ter uma frase boa para terminar aqui, né? Por enquanto, fica esta: o que sobra da infância é a nossa mitologia.

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