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Fui jogar o lixo ontem. Do meu apartamento até a lixeira do condomínio é uma pequena caminhada pelos gramados, pelas quadras onde as crianças brincam, pelos outros prédios de apartamento, pelos estacionamentos de cada bloco. Pode parecer muito, mas é uma caminhada banal de não mais do que 15 minutos. Ontem, porém, foi também uma caminhada pelo silêncio e pela chuva.

Na cozinha em que deixei o guarda-chuva, ela aguardava a minha volta enquanto meus passos ecoavam em cada pingo d’água e cada pingo d’água me sorria como quando eu era menino e corria, junto a meu irmão, por outras mesmas chuvas.

Na gota de um instante, o caminho por entre os prédios foi o mesmo caminho por sobre o asfalto das velhas ruas e o silêncio abriu-se em palco para os sons de nós meninos conversando com a chuva. Gritávamos e ríamos e celebrávamos — em cada passo e em cada poça.

Na chuva, eu me lembrei dessas coisas enquanto ela descia para abrir a porta do prédio. Eu me lembrei também que eu não escrevia havia um tempo. Eu estava feliz e sorri para ela.

E fiz uma prece líquida.

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