Archive for setembro \21\UTC 2012

poema 069

sexta-feira, setembro 21, 2012

Túnel

Cavei uma noite na montanha do dia
para seguir sonhando
durante a travessia

poema 068

sexta-feira, setembro 14, 2012

nunca minto quando falo a verdade
mas, às vezes,
falo a verdade quando minto.

quinta-feira, setembro 13, 2012

Agora eu sinto falta de escrever um pouco de prosa. Frases, parágrafos e sentido horizontal. É estranho, parece que a prosa exige um tempo de concentração maior diante das ferramentas da escrita (caneta/papel ou teclado/monitor). Poema não é mais fácil, mas eu posso trabalhá-lo dentro da cabeça, enquanto estou no trem ou andando pela rua. Prosa não, tem que esculpir o pensamento do lado de fora, parafusar uma frase na outra, costurar com vírgulas, balancear as orações e períodos, colocar um pouco menos de vazio.
Um pouco menos de vazio é algo bem difícil de se conseguir quando a cabeça está cheia de coisas espalhadas por aí.

poema 067

quarta-feira, setembro 12, 2012

Fiandeira fonadora
fornaceira fiandoura,

Como é que
valora
valoriza
avaloria
valorifica
esta língua desapressada e sem preço
que me fala na esteira dos séculos?

E quanto
paga
apaga
a paga
do apego
pelo afeto feito fogo que afoga desta língua
que me beija a língua na boca do povo?

Mas quem
colhe
tolhe
recolhe
e engole
em curta extensão a culta expressão
do longo cultivar desta cultuada língua
que me desenha o mundo de dentro dos meus olhos incautos?

A classe leva à crase o grave ovo da língua
do povo desclassificado, quebra o fruto da gleba
torna clássica a gema, já incrustada joia,
furtada ao crítico gemido das bocas que germinaram
no pranto preto a prata plácida
desta língua que
nos enrola,
se glosa
nos engloba,
entrosa
nos embola,
desenrosca
e roça
e nos embota
enquanto tanto se afia no fino fio frio
do tempo no qual todos nós temos termo.

poema 066

terça-feira, setembro 4, 2012

Descartes descartável

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