poema 067

Fiandeira fonadora
fornaceira fiandoura,

Como é que
valora
valoriza
avaloria
valorifica
esta língua desapressada e sem preço
que me fala na esteira dos séculos?

E quanto
paga
apaga
a paga
do apego
pelo afeto feito fogo que afoga desta língua
que me beija a língua na boca do povo?

Mas quem
colhe
tolhe
recolhe
e engole
em curta extensão a culta expressão
do longo cultivar desta cultuada língua
que me desenha o mundo de dentro dos meus olhos incautos?

A classe leva à crase o grave ovo da língua
do povo desclassificado, quebra o fruto da gleba
torna clássica a gema, já incrustada joia,
furtada ao crítico gemido das bocas que germinaram
no pranto preto a prata plácida
desta língua que
nos enrola,
se glosa
nos engloba,
entrosa
nos embola,
desenrosca
e roça
e nos embota
enquanto tanto se afia no fino fio frio
do tempo no qual todos nós temos termo.

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