poema 072

tudo que faço é morrer

e vou morrendo ora bem, ora mal.
devagarinho, aos poucos
ou, às vezes, aos saltos.

morro feliz, triste, bravo, encantado.
morro em segredo
a céu aberto
dormindo
sonhando acordado.

morro sentindo muito
dando e pedindo desculpas
cantando uma música

morro durante o amor
no almoço
em trânsito
no centro da cidade
na casa de minha mãe
bebendo com os amigos

bato ponto enquanto morro

sozinho ou acompanhado
vou morrendo em cada passo

morro preparando meus filhos
para seguirem morrendo bem
ou, ao menos, morrendo melhor
do que eu mesmo já morri até aqui

morro, enfim, esquecido de morrer
e perguntando-me se morrer não seria
uma forma outra de seguir sútil
existindo do avesso.

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