poema 085

Alegoria do mito: a verdade

O mito tateia a Verdade no escuro,
faz da sua nudez um véu translúcido
e, no seu rosto sem face, os olhos vazados de uma máscara.

Foi a mãe das mães quem vestiu o véu e usou a máscara pela primeira vez
e será o filho dos filhos que do mesmo modo o fará pela última.

Entre ela e ele, o mito interpreta um personagem
— uma verdade — que grita
no buraco oco de um tronco,
no precipício íntimo do abismo
o nome da Verdade: primordial silêncio de existir.

E nós, em nossa nudez, sob o véu e atrás da máscara,
passamos a vida buscando a Verdade que vestimos
e morremos exauridos de gritar o nome que não escutamos.

Uma resposta to “poema 085”

  1. Jorge Says:

    mudanças na 3ª estrofe:

    [versão 1]
    Entre ela e ele, o mito interpreta um personagem da Verdade — uma verdade.
    O personagem grita no buraco oco de um tronco
    o nome da Verdade: primordial silêncio de existir.

    [versão 2]
    Entre ela e ele, o mito interpreta um personagem da Verdade
    — uma verdade — que grita
    no buraco oco de um tronco
    na borda escura de um poço
    no precipício íntimo do abismo
    o nome da Verdade: primordial silêncio de existir.

    [versão 3/atual]
    Entre ela e ele, o mito interpreta um personagem
    — uma verdade — que grita
    no buraco oco de um tronco,
    no precipício íntimo do abismo
    o nome da Verdade: primordial silêncio de existir.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: