poema 117

À noite, blecaute.
Olhava para céu aceso.
Um imensamente vasto cartão postal.
Distante passado ou futuro de qualquer coisa que fosse
não apenas o diploma, o trabalho e a carreira,
mas menos do que isso:

Menos que o apartamento, o carro e a piscina do clube;
menos que água-luz-telefone, a fatura do cartão, a banda larga da internet;
bem menos que as roupas, o boteco com as amigos, os artifícios de sonhar;
muito menos que o corpo, o sangue nas veias, o ar nos pulmões;
ainda menos que células, moléculas e átomos.

E se fosse tão somente um punhado
incalculavelmente mínimo de subpartículas atômicas,
um devaneio teórico nem bem vislumbrado pela Ciência,
o substrato de uma delirante metafísica quântica?
Poderia, assim, ser irmão de estrelas?

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