poema 126

gota (também intitulado “nem poema”)

Era um rio
dentro do mar.
Assim aprendi a navegar.

Era mar, era mar e mais mar.
Dentro dele só um rio
que não sabia acabar.
Mas o mar maior sempre acaba
nas praias do lado de lá.
O rio, não querendo nunca chegar,
foi nadar no céu acima do mar.

O céu parecia muito mais mar que o mar,
No lugar de praias era tudo amplidão.
Não tinha fundo, tinha só extensão.
O mar é todo dentro, o céu é só por fora
onde o rio não pode nadar.

O poema continuaria contando como o rio virou nuvem para poder voar e como a nuvem, com saudade de ser rio, às vezes, se punha a chorar e voltava, assim, a ser o rio que nadava para dentro do mar. Mas eu, que o escrevo, não quero isso para o poema. Quero o rio sendo rio dentro do mar e fora no céu. E, ainda além, quero que ele continue rio até entre as estrelas distantes. Eu quero é ser uma gota nesse rio.

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