poema 131

“Nossa maior companheira
não atravessou o horizonte denso.
Acabou deixando nossas sombras
flácidas, sem alma.

Pareceu uma cajuína em pó
jogada do alto do Altino Arantes.
Uma trama, um mormaço constante na vista.

A testa suada e os olhos doídos pela poeira,
a mesma que rasga nossa pele há tempos,
viram estranheza.
Me fez pensamento e estranheza pelo horizonte.

Gosto de andar e sentir isso.
Mas deixou o aconchego do dia se indo
num desconforto amarelo.

Tempo denso, um bafo amazônico
que virou pó e pairou massudo.
Só,
abandonado e sem chuva,
sem nada pra lavar e trazer o brilho
no asfalto molhado pelo sol que vai descansar.

A noite caiu diferente esses tempos”, disse Renato Stockler


 

Depoimento extraído de “O CALOR DE SP CRIOU UMA LUZ SINISTRONA“, publicado pela Vice.

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