poema 150

segunda-feira, janeiro 4, 2016

desolução

cheguei atrasado para o ano que se inicia
as mãos vazias de promessas não cumpridas
menos uma
não tentar fazer um poema todo dia

poema 149

quarta-feira, outubro 21, 2015

testemunhas

o cego que ninguém via
o mudo de quem não se falava
o surdo que não escutávamos

dorme
sob vigília de nossos passos

poema 148

terça-feira, outubro 6, 2015

releitura

p o ç a
o
ç
o

poema 147

segunda-feira, outubro 5, 2015

na cidade não há escape
só oceano entre
escafandristas

poema 146

segunda-feira, outubro 5, 2015

á
_g_____m
__u___o
___a_l
____e
t
a
_n
__t____b
___o__a
____t
__e__a
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b_____t
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__t
_a__e
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__t____b
___o__a
____t

____e

_P E d R A
____u
____r
____

 

poema 145

quinta-feira, outubro 1, 2015

basta um passo e já se está de partida
a volta é a ida
então sigamos
o sentido:
é o que não deixa de ser

sobre ter parado de escrever

terça-feira, setembro 15, 2015

não sei porque eu parei de escrever.

essas são as primeiras palavras que eu me proponho de fato a escrever em muitos meses. não que eu tenha passado esse tempo sem querer escrever. eu quis. vim aqui diversas vezes e me assentei diante do branco da tela e nada aconteceu. não houve aquele estalo e as palavras, sem meu fôlego para prossegui-las, logo desmoronavam sobre si. depois de um tempo cansei. apenas aceitei o fato de havia parado de escrever. sendo que esse fato, a gente não aceita nunca.

desde então e até 10 minutos atrás quando comecei a escrever este texto, tendo parado para atender duas ligações, e mesmo agora eu continuo sem entender como ou por que isso aconteceu.

dirão, talvez, que há poemas recentes. um de setembro, dois de julho. não me engano. são textos escritos há muito tempo e guardados na gaveta. não os escrevi nesse período de seca. apenas desentulhei uma ou outra coisa de cima deles e fiquei com o que havia sobrado. verdade seja dita que isso que acabo de escrever resume boa parte do processo de escrita de muitos outros textos meus. no entanto, há muito tempo que não escrevo de nada de verdade. nem mesmo para que haja o que desentulhar depois. eu parei de escrever há alguns meses e não sei o por quê.

não estou vivendo em crise. cheguei aos 30, sinto-me bem com minha vida e minhas escolhas. as finanças estão uma lástima, mas já estiveram bem pior e eu não me sinto perdido. finalmente, minha vida é aquilo que eu quis que ela fosse. o casamento vai bem, os filhos também. o emprego às vezes é chato, mas, no geral, é de bom para ótimo. não estou satisfeito com tudo, é claro. preciso estudar, mudar algumas coisas, melhorar outras… continuar vivo enfim.

meu problema é que não escrevo e não vejo em nada disso que acabei de listar alguma justificativa para não escrever. minha crise é não escrever. então, escrevo.

poema 144

quarta-feira, setembro 2, 2015

trôpego coração
entre outras pedras da calçada
por onde a pressa passa
pulsa
pulsa
pulsa

poema 143

quinta-feira, julho 30, 2015

às vezes,
me dou conta
que a língua
não dá conta.

então, poemo.

poema 142

quarta-feira, julho 1, 2015

às vezes, a saudade dói,
mas o amor, sempre ele, abranda.

há anos quero te escrever um poema.
algo singelo que fique
como um afago na lembrança.

como ficou na minha infância
teu riso, tua afliação
e a música de teu nome, Joana.