Archive for janeiro \29\UTC 2009

poema 001

quinta-feira, janeiro 29, 2009

linha

A vida que poderia ter sido e não foi
essa eu não quis
quis aquela outra
a que não poderia nunca ter sido, impossível
de ser sonhada.

Mas eu sonhei e quis mais
destruir o sonho e fazê-lo possível
cabível na palma da mão
e despir a realidade
deixá-la fantasiadamente nua

Sigo a coerência do absurdo
bêbado de sobriedade
escrevendo torto em linha certa.

O caminho

terça-feira, janeiro 20, 2009

O caminho vai ficando árido sem que a gente perceba, sabe? É difícil explicar. Ainda mais porque é desnecessário e você sabe disso. Mas foi assim comigo e talvez não será diferente com você… se é que já não foi…ou se é que não é.
Então. Eu tava dizendo, o caminho. Quando eu olhei era um deserto. A estrada seca seguia numa monótona linha reta pelo que parecia milhares de quilômetros a minha frente. E olhar pra trás não era nem um pouco melhor, porque era igualzinho, só que dava pra ver umas pegadas, que indicavam de onde eu tinha vindo. Dava até pra me consolar pensando que eu tava seguindo uma direção.
Bom, foi isso que eu pensei logo de cara. Mas… hunf… alguns segundos parados olhando pra frente e pra trás, tentando entender aquele caminho. Pra frente e pra trás, pra frente e pra trás… e.
E onde e que tavam as pegadas? O caminho tinha engolido as pegadas, sacou?
Mas tudo bem. Eu ainda sabia o que era frente e o que era trás. Sabia? Porque aí eu comecei a pensar. Eu tava no meio de uma linha. A linha vinha de um lugar e ia pra outro. Mas eu não sabia que lugar era um e outro, porque, até onde eu via, dava pra perceber que, de um lado, a linha seguia até bem depois de onde o horizonte derretia na visão e do outro também! E se eu já tivesse alguma vez parado e, sem perceber que o caminho engoliu minhas pegadas, tivesse começado a andar de volta?
Humm… ok andar de volta ainda seria uma direção, mas.
Mas e se eu, andando de volta, tivesse por acaso parado e, sem perceber que o caminho engoliu minhas pegadas, tivesse começado a andar de volta da volta? Pior! E se isso tivesse se repetido? Ainda mais de uma vez! Ai ai ai…
Aí você já viu, né. Eu olhei ao redor e não melhorou nada. O chão, por toda a extensão, era reto, plano, chato pra não ter variação nenhuma. O solo, de um lado, vermelho e poeirento de secar até a garganta da alma de quem visse, e do outro, ha!, não preciso nem dizer… diferente não era, seguia assim até os fundos de qualquer horizonte. O chão só mudava mesmo, um pouco, na linha reta do caminho, mais amarronzada. Acho que era porque o caminho era mais pisado, né. Ainda que ele engolisse as pegadas.
E eu tava lá… no meio daquela linha. Sem nenhuma pedrinha pra chutar.

A janela aberta

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Ela vinha de longe, sem fazer barulho. Os longos cabelos negros salpicados de estrelas e a Lua num cordão ao redor do pescoço. Seu hálito era uma brisa serena e sua voz era fresca:
– Eu sou a Noite.
Sentada na beira da cama, a boca bem perto do meu ouvido. Ela me sussurrava sonhos.

Pequenas coisas

domingo, janeiro 18, 2009

3 links ao lado que ultimamente eu visito bastante, todos sobre quadrinho.
A foto aí do cabeçalho é de Christian Cravo. Gosto muito dela e espero que ele não me processe.
Ainda estou decidindo sobre o que eu vou escrever aqui. Algumas coisas em mentes. Outras, nem tanto.

e lá vamos nós!

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Tô pensando no último e-mail do Johnny.
“Gostei da idéia do blog e dou o maior apoio gostaria de ter mais contato com a escrita desse nosso amigo…”
E tô me sentindo estranho enquanto penso neste primeiro post.
Vamos ver no que dá.