Archive for setembro \24\UTC 2014

poema 128

quarta-feira, setembro 24, 2014

Drumão

No meio do pixo tinha uma pedra
tinha uma muro no meio do pixo
tinha uma cidade
no meio do pixo tinha uma viatura.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas com raiva.
Nunca me esquecerei que no meio do pixo
tinha minha cara
tinha minha cara no meio do muro
no meio da cidade tinha um pixo.

poema 127

segunda-feira, setembro 22, 2014

A cidade, era um discurso arquitetônico de edifícios espelhando o céu. Por avenidas, ruas e labaredas, fluía, sua sintaxe urbana. Eram nas abóbodas dos seus shoppings e templos, que resplandecia os períodos de orações mais intricadas. Toda essa melodia verbal era inigualável apenas ao coro entoado por habitantes majestosos que, marmóreos, encrustavam nessa coroa retórica, suas mais belas e delicadas joias.
Bela era, a cidade para quem soubesse lê-la.

poema 126

quinta-feira, setembro 11, 2014

gota (também intitulado “nem poema”)

Era um rio
dentro do mar.
Assim aprendi a navegar.

Era mar, era mar e mais mar.
Dentro dele só um rio
que não sabia acabar.
Mas o mar maior sempre acaba
nas praias do lado de lá.
O rio, não querendo nunca chegar,
foi nadar no céu acima do mar.

O céu parecia muito mais mar que o mar,
No lugar de praias era tudo amplidão.
Não tinha fundo, tinha só extensão.
O mar é todo dentro, o céu é só por fora
onde o rio não pode nadar.

O poema continuaria contando como o rio virou nuvem para poder voar e como a nuvem, com saudade de ser rio, às vezes, se punha a chorar e voltava, assim, a ser o rio que nadava para dentro do mar. Mas eu, que o escrevo, não quero isso para o poema. Quero o rio sendo rio dentro do mar e fora no céu. E, ainda além, quero que ele continue rio até entre as estrelas distantes. Eu quero é ser uma gota nesse rio.

poema 125

quarta-feira, setembro 10, 2014

a lua tardia nos teus olhos
sonhadora
a carícia
tua pele
minha amiga
a sintaxe dos corpos diluída
sombras sob a noite

desejo alvorecer
agora desperto